Encontraram-no naquele lugar de sempre, perto da lixeira, ao lado da padaria.
Com suas dúzias de cobertores enrolados ao corpo e sua bengala, levantou-se quando a polícia o intimou a entrar na viatura.
Por ser considerado um bom homem, os moradores se opuseram, não queriam que aquele senhor fosse levado, aliás, ele era inocente, o que poderia querer a polícia com ele.
Um policial muito atencioso se aproximou do grupo de moradores e contou: esse homem, de barba branca, que passou há muito pela juventude, está sendo levado por assassinato, pois na ponta daquela bengala de bambu há uma pequena faca, e outro morador de rua foi encontrado morto pela mesma.
Rumores entre os presentes eram ouvidos, muitos ainda não acreditavam: - Ele é inocente; - Cuida dos cães da rua; - Nunca mexeu com ninguém...
Havia sim um problema: jamais algum dos vizinhos ouviu uma única palavra dele, vivia em um mundo exclusivo, mas parecia estar sempre muito feliz.
Na partida daquela viatura, via-se o esboçar de um sorriso no rosto daquele pobre homem, que talvez fosse o último que aqueles transeuntes veriam. Contudo, antes de todos voltarem à sua vida normal, contou-nos o policial que fez uma investigação, aquele senhor foi um proeminente advogado, que de repente se calou, abandonou tudo, a casa, a família, bens, e optou por morar nas ruas.
Anos passados e não consigo jamais esquecer daquele sorriso, e um pensamento sempre vem na minha cabeça: A vida nos prepara para o mundo, mas o mundo não nos prepara para a vida, quando as batalhas que escolhemos acabam sendo mais árduas do que a mente pode suportar, corremos o risco de perder tudo em nome de algo que muitos desconhecem, ou não entendem, reconhecida como paz interior, mesmo que o mundo continue girando lá fora, mundo este onde pessoas ganham, perdem, lutam, brigam, choram, vivem, mesmo que por dentro já estejam mortos... Porém há sempre uma esperança, talvez a última, de que o espírito ressuscite, para que nós encontremos finalmente a verdadeira paz... Roalan
Rumores entre os presentes eram ouvidos, muitos ainda não acreditavam: - Ele é inocente; - Cuida dos cães da rua; - Nunca mexeu com ninguém...
Havia sim um problema: jamais algum dos vizinhos ouviu uma única palavra dele, vivia em um mundo exclusivo, mas parecia estar sempre muito feliz.
Na partida daquela viatura, via-se o esboçar de um sorriso no rosto daquele pobre homem, que talvez fosse o último que aqueles transeuntes veriam. Contudo, antes de todos voltarem à sua vida normal, contou-nos o policial que fez uma investigação, aquele senhor foi um proeminente advogado, que de repente se calou, abandonou tudo, a casa, a família, bens, e optou por morar nas ruas.
Anos passados e não consigo jamais esquecer daquele sorriso, e um pensamento sempre vem na minha cabeça: A vida nos prepara para o mundo, mas o mundo não nos prepara para a vida, quando as batalhas que escolhemos acabam sendo mais árduas do que a mente pode suportar, corremos o risco de perder tudo em nome de algo que muitos desconhecem, ou não entendem, reconhecida como paz interior, mesmo que o mundo continue girando lá fora, mundo este onde pessoas ganham, perdem, lutam, brigam, choram, vivem, mesmo que por dentro já estejam mortos... Porém há sempre uma esperança, talvez a última, de que o espírito ressuscite, para que nós encontremos finalmente a verdadeira paz... Roalan
Nenhum comentário:
Postar um comentário