segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O MENDIGO



Encontraram-no naquele lugar de sempre, perto da lixeira, ao lado da padaria.

Com suas dúzias de cobertores enrolados ao corpo e sua bengala, levantou-se quando a polícia o intimou a entrar na viatura.
Por ser considerado um bom homem, os moradores se opuseram, não queriam que aquele senhor fosse levado, aliás, ele era inocente, o que poderia querer a polícia com ele.
Um policial muito atencioso se aproximou do grupo de moradores e contou: esse homem, de barba branca, que passou há muito pela juventude, está sendo levado por assassinato, pois na ponta daquela bengala de bambu há uma pequena faca, e outro morador de rua foi encontrado morto pela mesma.
Rumores entre os presentes eram ouvidos, muitos ainda não acreditavam: - Ele é inocente; - Cuida dos cães da rua; - Nunca mexeu com ninguém...
Havia sim um problema: jamais algum dos vizinhos ouviu uma única palavra dele, vivia em um mundo exclusivo, mas parecia estar sempre muito feliz.
Na partida daquela viatura, via-se o esboçar de um sorriso no rosto daquele pobre homem, que talvez fosse o último que aqueles transeuntes veriam. Contudo, antes de todos voltarem à sua vida normal, contou-nos o policial que fez uma investigação, aquele senhor foi um proeminente advogado, que de repente se calou, abandonou tudo, a casa, a família, bens, e optou por morar nas ruas.
Anos passados e não consigo jamais esquecer daquele sorriso, e um pensamento sempre vem na minha cabeça: A vida nos prepara para o mundo, mas o mundo não nos prepara para a vida, quando as batalhas que escolhemos acabam sendo mais árduas do que a mente pode suportar, corremos o risco de perder tudo em nome de algo que muitos desconhecem, ou não entendem, reconhecida como paz interior, mesmo que o mundo continue girando lá fora, mundo este onde pessoas ganham, perdem, lutam, brigam, choram, vivem, mesmo que por dentro já estejam mortos... Porém há sempre uma esperança, talvez a última, de que o espírito ressuscite, para que nós encontremos finalmente a verdadeira paz... Roalan

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

ENCANTOS

Me encanto com o brotar de uma planta, com o cantar dos pássaros, com o trabalho da formiga, a chuva e a agua descendo a encosta. Me encanto com a sabedoria do silêncio, a fidelidade dos cães, o nascer do Sol, o farfalhar das ondas, a areia molhada, o fruto que cai do pé, a árvore que balança com o vento... Enquanto me encanto, eu canto... Roalan

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O QUE É A INVEJA?

A inveja nada mais é do que o pensamento do "Tudo Posso" sendo suplantado pelo pensamento do "Porque ele pode?". A nossa vida é feita de escolhas, e sabemos que não podemos nos dedicar a tudo ao mesmo tempo, tudo tem sem tempo, não é o fato de não poder fazer algo em determinado momento que me torna incapaz, o que me torna incapaz de verdade é deixar de planejar minha vida para cobiçar aalheia, perder meu precioso tempo tentando imaginar como alguém conseguiu algo que eu não tenho capacidade momentânea para ter ou fazer. Ninguém é melhor do que ninguém, mas jamais teremos absolutamente nada de ninguém, pois o planejamento de vida de cada um é único, e não podemos perder um segundo sequer pensando no que não temos, temos que usar esse tempo para sermos produtivos, para que em um futuro próximo o arrependimento de não alcançarmos nossos sonhos não se transforme em pura inveja...ROALAN

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CADA DIA É UM NOVO PONTO DE PARTIDA...

No momento, fazendo uma análise de todos os erros e acertos, catalogando, estudando, e preparando novos passos para o futuro... Sei que vou errar, sei que vou tropeçar, muitas vezes cair, mas também sei que vou me levantar, e sei também que a lembrança de cada passo também é um acerto, pois aprendo a tirar proveito do resultado de minhas ações. ROALAN

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

SE NÃO PODE COM ELES...

Nós só aprendemos a ignorar pessoas porque não podemos limpar nossos caminhos, ou talvez porque não tenhamos a capacidade de mudar a nós mesmos e a sabedoria para entender que as coisas são como são, o que muda é a nossa perspectiva. ROALAN

PAPO CABEÇA



Curto e grosso:


- Sinceramente, eu não acredito em ignorantes, ou idiotas.

- Mas deveria, pois eles acreditam em você...

ROALAN

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

DESAPEGO

Mudanças são necessárias, pois como seres humanos estamos em constante movimento, e movimentos repetitivos só nos causam estresse. Para que possamos mudar precisamos, antes de mais nada, praticar o desapego, não só o desapego material, mas também o desapego das idéias, dos costumes, dos sentimentos que nos fazem mal. Nossas mentes precisam estar sempre ocupadas, então a melhor maneira de fazer uma limpeza é através de novas idéias, novos sentimentos, novos costumes. Passear por onde nunca passeei, fazer o que nunca fiz, conhecer pessoas diferentes, mesmo que a primeira impressão não seja das melhores, viajar, conversar, ler, fazer artesanato, brincar, enfim, viver o novo, mesmo sabendo que é muito difícil para nós a mudança, pois demanda o uso de novos caminhos, novas sinapses mentais, mas a recompensa é gratificante... ROALAN

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CICATRIZES E MATURIDADE

24/07/2013 
Sobre cicatrizes e maturidade

Já é muito tempo passado entre o desaparecimento da cicatriz, e quando ela se desvanece dos olhos reaparece em algum lugar chamado maturidade... Temos em nossas histórias momentos que nos moldam e nos fazem o que somos. Tenho em minhas memórias um momento em especial, um ônibus, uma janela, e a visão de alguém que há muito não via, e que jamais voltei a ver, não da mesma forma como gostaria de recordar, e o lapso de tempo passado foi moldado apenas pelo que a mente gostaria que fosse verdade. Alguém em quem me amparei em momentos de necessidade, especificamente, um momento de dificuldades, onde meninos são obrigados a serem homens, a deixarem a visão pueril de lado para entrarem em uma rodovia de alta velocidade, perigosa e de mão única, que leva a um único destino conhecido. Às vezes deixamos as pessoas que amamos em busca de um futuro, e quando olhamos para trás nada mais é como era, mas naquele momento em especial uma encruzilhada se vislumbrou a minha frente: voltaria a rever aquela que certo período da vida foi meu alento, ou iria em direção a um rio que finalmente desemboca no mar? Não pensei duas vezes, pois percebi que a chance seria única, e impetuosamente saltei daquele ônibus, a correr em direção àquela sombra arqueada e de cabelos totalmente brancos, naquela rua larga, muito marcada em meu passado, mas percebi que a chance fora desperdiçada, ou talvez o destino quisera que eu apenas me lembrasse daquele momento como um último adeus de alguém que só pude ver quatro anos mais tarde, após quase um século de vida, em sua inconsciente agonia de saber que suas próprias memórias restantes remontam a uma época anterior à maturidade, onde depois de esquecer as cicatrizes já desaparecidas, a própria maturidade já não se fazia mais presente. 
Tanto tempo passado, percebo hoje que assim como a cicatriz da inocência se esvai com o tempo, também a própria maturidade deixa de existir. 
ROALAN

YIN YANG

O bem e o mal residem em mim, mas diferente da maioria das pessoas, não consigo restringir um ou outro, muito menos demonstrar apenas a "beleza interior", mesmo porque se torna nítida a verdade escondida por trás das máscaras do belo ou do bom. Arriscando ao mostrar os dois lados continuamente, tenho apenas um prêmio: a verdade. Roalan

LOBO DA ESTEPE

 "AH! É difícil achar esse trilho de Deus em meio à vida que levamos, na embrutecida monotonia de uma era de cegueira espiritual, com sua arquitetura, seus negócios, sua política e seus homens! Como não haveria de ser eu um Lobo da Estepe e um mísero eremita em meio de um mundo de cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! Não consigo permanecer por muito tempo num teatro ou num cinema. Mal posso ler um jornal, raramente leio um livro moderno. Não sei que prazeres e alegrias levam as pessoas a trens e hotéis superlotados, aos cafés abarrotados, com sua música sufocante e vulgar, aos bares e espetáculos de variedades, às Feiras Mundiais, aos Corsos. Não entendo nem compartilho essas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tantos anseiam. Por outro lado, o que se passa comigo nos meus raros momentos de júbilo, aquilo que para mim é felicidade e vida e êxtase e exaltação, procura-o o mundo em geral nas obras de ficção; na vida parece-lhe absurdo. E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou errado, estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível."  Hermann Hesse